"[...] a infância não é apenas, ou sobretudo, uma etapa da vida, algo que transcorre num tempo cronológico e, sucedendo, supera-se. Ela habita sem ser percebida, toda palavra como sua condição, como um sombra, como um resto, como uma diferença não percebida. [...] Assim, a infância se torna não apenas fase para adquirir a palavra; mas sobretudo, estado latente que habita toda palavra pronunciada: a de uma criança, mas também a de um adulto e de um ancião, a de qualquer ser humano. [...] A infância passa como etapa, mas ela sobrevive como infantia." (Kohan, 2010)

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Variações sobre o mesmo tema: ganchos e intervenções no espaço parte IV

Para encerrar esta série de postagens (o objetivo das atividades da série - todas realizadas na mesma semana - era incentivar a locomoção independente, a curiosidade e a experiência sensorial, lembram?), coloco aqui as fotos dos cestos. Estes cestos foram comprados em bazar (de tecido, com uma estrutura de arame fino, são dobráveis para guardar e bem baratos). Pendurei quatro deles em lugares diferentes da sala, usando um elástico (daqueles de costura) para prender ao teto. Novamente, alguns foram colocados mais baixos, outros mais altos, só que desta vez, à medida que os bebês puxavam eles vinham até o chão. Dentro dos cestos balões coloridos e algumas formas geométricas, confeccionadas em T.N.T, com aromas e texturas diversas. Não sei se há um nome para estas formas, mas a inspiração veio dos blocos lógicos. 
Confeccionei 4 círculos, 4 quadrados e 4 triângulos, nas cores azul, roxo, verde e vermelho (um conjunto de formas de cada cor). No T.N.T, pinguei essências aromáticas, para aguçar o 
olfato (por vezes esquecido em nosso trabalho pedagógico). Utilizei as essências de canela (peças vermelhas), limão (peças verdes), baunilha (roxas) e camomila (azuis).
Os círculos foram recheados com sacolinha plástica (daquelas de mercado) para fazer barulho quando manipulados pelas mãozinhas curiosas dos bebês. (Recortei dois círculos de T.N.T, colei as bordas com cola quente, deixando um espaço aberto para "rechear". Coloquei a sacolinha dentro e fechei com cola quente).
Os triângulos foram recheados com fibra para almofada e guizos, e os quadrados com capas de cd e clips e chaves dentro.
O material estimulava assim a visão (cores diferentes), a audição (sons diferentes ao serem manipulados) e o olfato (essências diferentes para cada cor). Uma pena não ter disponível tipos de tecido diferentes para estimular também o tato - (fiz com o material que tinha em casa e na escola. Sem muitos gastos, vocês sabem...)
Não me lembrei de fotografar o material sozinho, mas as peças podem ser vistas nas fotos dentro dos cestos, junto com os balões. O que aconteceu na exploração destes materiais todos juntos (as peças confeccionadas, os cestos pendurados, os balões...) isto dispensa comentários - as fotos fama por si só!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Variações sobre o mesmo tema: ganchos e intervenções temporárias III

 E encontramos mais coisas para pendurar...
Bambolês revestidos com tiras de celofane (de uma só cor e de várias cores) e tiras de T.N.T.

O objetivo era que, ao passear pela sala, entrando nos espaços criados pelas tiras coloridas, as crianças pudessem vivenciar as diferenças de cor, transparência e opacidade. 

Ainda que os bebês não diferenciem estas qualidades através da linguagem, é importante que vivenciem as diferenças no âmbito sensorial. Não serão capazes de nomeá-las agora (é lógico, ainda não falam! rsrsrs), mas percebem que os materiais são diferentes. Vivenciam através do tato, da exploração oral, da visão... (e isto lhes será fundamental na construção da linguagem)
 Foi interessante perceber como os espaços criados com o celofane serviram a uma exploração mais dinâmica (os bebês corriam para passar entre as tiras, balançavam-nas freneticamente), enquanto os espaços criados com o T.N.T, embora também tenham sido explorados de forma intensa nos primeiros instantes, serviram como espaços mais intimistas, onde os bebês podiam esconder-se.

Variações sobre o mesmo tema: ganchos e intervenções temporárias II

Na mesma semana (com o mesmo objetivo)

 Garrafas pet com objetos diversos dentro (algumas com papel celofane, outras com brinquedos, bolinhas de gude...) tudo para chamar a atenção e despertar a curiosidade dos bebês. 

Penduradas com barbante nos nossos ganchos, algumas foram colocadas com o fio mais comprido, outras com o fio mais curto, a fim de proporcionar diferentes níveis de desafio. Desta forma, os bebês que estavam apenas começando a engatinhar podiam deslocar-se até as mais baixas e tocá-las, e os que já caminhavam ou estavam começando a ficar de pé exploravam também as mais altas. Na primeira foto 
uma das crianças se apóia em uma de nossas grandes almofadas de formas geométricas utilizando-a como auxílio para sustentar seu corpo - parte de seu processo de aprendizagem de domínio do equilíbrio e sustentação :)

Alguns ganchos no teto e... Voilá


Esta foi uma das minhas primeiras experiências com intervenções no espaço da sala de aula. Posso dizer que foi o início de um ciclo de aprendizagens (minhas) a respeito das aprendizagens dos bebês. A proposta era inserir elementos (que pudessem ser retirados a qualquer tempo) no espaço da sala para a livre exploração dos bebês.
Na concepção de espaço como educador auxiliar (Barbosa e Horn, 2003), os elementos são inseridos na sala de acordo com objetivos específicos. O trabalho do professor não se concentra apenas em atividades (com tempo de duração pré-determinados), mas em planejar este espaço de forma que ele desencadeie aprendizagens.

Nesta primeira experiência, os objetivos eram incentivar a locomoção independente (cada um de acordo com suas possibilidades: caminhando, engatinhando...) e explorar a motricidade fina.